Fate/EXTELLA: The Umbral Star - Análise

O universo Fate é bastante conhecido no mundo anime, manga e dos vídeo jogos, mas para aqueles que desconhecem, Fate gira em torno de guerras travadas por Servos, que são os espíritos dos antigos heróis da Terra que tomam forma física e batalham, juntamente com os seus mestres, para obterem o Santo Graal, um objecto de enorme poder capaz de tornar um desejo em realidade. Fate/EXTELLA: The Umbral Star é uma sequela de Fate/Extra, lançado na PSP, que seguia a jornada de um mestre e o seu Servo enquanto lutavam pelo controlo da Moon Cell, uma poderosa instalação localizada na Lua. Fate/EXTELLA começa exatamente após os eventos de Fate/Extra. Ao chegar à Moon Cell, o mestre é atacado por um titã branco misterioso e acaba gravemente ferido mas consegue de maneira desconhecida escapar. Enquanto recupera, Saber (também conhecido como o Imperador Nero) descobre que o ataque dividiu em diferentes partes, nomeadamente, corpo, alma e mente. O servo Caster, uma das outras personagens jogáveis, consegue reivindicar a Moon Cell e agora a guerra recomeçou entre os vários servos, todos procurando tornar-se o verdadeiro governante da Moon Cell.

 

Estória:

Ao contrario de Fate/Extra, que era um RPG, Fate/EXTELLA é um musou,ou também conhecido como um jogo estilo Warriors, mas apesar da mudança de género a estória, em termos de conteúdo, não fica atrás de nenhum RPG (a própria Marvelous confirmou que existe texto suficiente para um RPG de 100 horas) e isso pode ser algo bom e ao mesmo tempo mau. A maior parte da estória é contada através de cut-scenes ao estilo de novelas visuais e apesar de não serem muito longas contem muita informação. É aqui que entra a parte má, se não jogou o Fate/Extra ou nunca jogou ou viu outro conteúdo do mundo Fate, vai ter algumas dificuldades a entender o jogo. Os termos são lançados sem qualquer explicação, os relacionamentos das personagens e os elementos metafísicos complexos e longos que são discutidos. Tudo isto lançado a um jogador com desconhecimento da lore pode afasta-lo do jogo. Mas se estiver estiver disposto descobrir e aprender a estória de Fate/EXTELLA ou se já for um fã da serie não vai ficar dececionado.

A estória é contada através de 3 arcos, com um arco extra após todos os outros sejam completos, e 13 estórias secundárias (uma por cada servo secundário). Apesar de cada arco e estória secundária ter o seu lado interessante, é na sua organização que penso que falha. Fate/EXTELLA lida bastante com universos paralelos e torna-se confuso saber que estória secundária pertence a arco, se é que pertence. Alguns são o seu próprio universo e outros estão ligados a certos arcos. Mesmo Fate/EXTELLA tendo uma estória interessante, com o desenrolar dos arcos e mais estórias secundarias desbloqueadas, ela torna-se cada vez mais complexa de tentar encaixar tudo. Se a Marvelous tivesse descoberto uma maneira de identificar melhor onde os jogadores se encontram na estória, para alem de ser mais fácil de absorver informação, também se tornaria uma experiência mais agradável.

 

Jogabilidade:

No que diz respeito à jogabilidade, Fate/EXTELLA é um clone de Dynasty Warriors, e pessoas que jogaram um título Warriors vão se sentir muito familiarizados com a jogabilidade. Você controla um herói imparável que pode matar através do campo de batalha centenas de inimigos com facilidade. À medida que as personagens dobem de nível, ganham acesso a ataques mais poderosos.

Cada personagem também tem um ataque especial Extella, um ataque capaz de limpar de multidões de inimigos que você pode ativar após encher o medidor Extella. Ao usar ataques Extella consome pontos do medidor mas quanto mais pontos tiver mais ataques Extella seguidos pode usar.

Quando à sua personagem, o/a mestre, não pode lutar diretamente no campo de batalha, mas tem 2 maneiras da influenciar. Um método é os Codes, feitiços especiais que podem curar, fornecer buffs ou trocar o seu servo por outro. Estes Codes não são equipados diretamente, mas você pode comprar vestuário específico que ao equipar determina os Codes que pode usar. A outra é os Command Seals que podem ser usados de 2 maneiras, ressuscitar o servo ou levar as suas habilidades ao limite (maximiza os pontos de vida e medidor Extella e aumenta o ataque e defesa) mas só pode ser usado uma vez por batalha.

Outra habilidade dos servos é Moon Crux / Moon Drive que permite temporariamente um aumento das habilidades do seu servo, geralmente acompanhado por alguma forma de transformação física e uma mudança nos tipos de ataques. É um modo super temporário e só pode ser usado após encher um medidor. Uma vez cheio, pode usa-la  em qualquer altura para se tornar e é impossível de a parar. 

A mecânica final é o Nobel Phantasm, o ataque supremo dos Servos. para o poder usar primeiro deve encontrar 3 circuitos espalhados pelo campo de batalha.

Tal como acontece com Warriors, o objetivo é conquistar o território da fação inimiga. Arenas de batalha são divididas em áreas, e para os conquistar, deve matar inimigos até os seus lideres, ou agressores como são chamados no jogo, se revelarem. Após matar todos os agressores numa área essa área torna-se sua. Cada área tem o seu valor e ao atingir o valor máximo definido pela Regalia Matrix. Após completar Regalia Matrix o servo inimigo será revelado e após vencê-lo a batalha está ganha. 

Um problema irritante é que a câmara, em locais apertados torna-se difícil de controlar e o lock-on apenas pode ser usado em servos inimigos. Esta é apenas uma falha grave por causa de quão rápido o combate de Fate/EXTELLA pode ser. Enquanto de desvia e tenta criar combos é fácil de perder noção onde estão os agressores e os servos perto de si e para quem joga nas dificuldades mais elevadas pode causar erros fatais.

Outro ponto são as missões secundarias. As missões secundarias são oferecidas pelos seus servos antes das batalhas, na qual apenas pode escolher 5 no máximo, e ao completa-las faz crescer a sua ligação ou Bond, com esse servo. Apesar de as missões secundarias ofereceram algum dinamismo às batalhas, a sua variedade é pouca.

O Bond é algo bastante importante dentro das mecânicas de Fate/EXTELLA. Ao derrotar agressores e servos recebe Upgrade Chips e é o Bond que define quantos Upgrade Chips pode equipar. Os Upgrade Chips variam de aumentar pontos de vida a aumentar o poder de ataque contra servos, receber mais experiência, etc.

 

Aspetos Tecnicos:

Fate/EXTELLA tem vários visuais agradáveis, mas obviamente sofre algumas limitações devido ao hardware da PSVita. Os modelos de personagens são vivamente animados e contêm bastantes detalhes. Os fãs da franquia vão apreciar os pequenos detalhes. Onde o jogo sofre é nos inimigos, que são modelos claramente inferiores e em menor quantidade (em comparação à versão PS4). Em termos de fps, nunca durante o tempo que joguei senti alguma queda, e nunca experienciei bugs fatais. O jogo conta apenas com vozes em japonês e legendas em inglês, mas tem um elenco de voz sólida, e a tradução é muito boa. A trilha sonora é boa, embora simples.

 

Conclusão:

Fate/EXTELLA: The Umbral Star, em termos técnicos, é provavelmente o melhor jogo musou disponível de momento na PSVita com a sua licença Fate só o melhora. A jogabilidade é divertida, mas ligeiramente limitada. Se é um fã da franquia Fate, vai encontrar bem o valor do jogo na estória e personagens. Se não o é deve estar pronto a aprender muita estória.

 

Nota Final:

8/10